Com a publicação do volume 20, número 1, correspondente ao primeiro semestre de 2026, a Revista de Arqueologia Histórica Argentina e Latino-Americana reafirma seu compromisso com a divulgação de pesquisas originais voltadas ao estudo dos processos históricos, materiais e sociais que configuram os diversos cenários da arqueologia histórica na América Latina. Os trabalhos reunidos nesta edição refletem a amplitude temática, metodológica e regional que caracteriza o campo, bem como a importância de manter espaços acadêmicos de circulação aberta e rigorosa para a troca de conhecimentos entre as comunidades acadêmicas interessadas no passado histórico latino-americano.
O artigo intitulado “Contribuições da UNESCO para a pesquisa e gestão do Patrimônio Cultural Subaquático do Paraguai” insere-se nas iniciativas iniciadas em 2020, quando a República do Paraguai solicitou assistência técnica à UNESCO para a salvaguarda de três naufrágios atribuídos à Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870). A preservação desses vestígios — o navio a vapor “Paraguarí” da Marinha paraguaia, uma pequena embarcação de madeira não identificada e a estrutura atribuída ao navio a vapor brasileiro “Eponina” — estava ameaçada por fatores de origem natural e antropogênica. Nesta publicação, os autores Dolores Elkin, Helena Barba, Jean-Bernard Memet, Bárbara Davidde, Sergio Ríos Díaz, Ruth Alison Benítez, Mirtha Alfonso Monges, Guillermo Gutiérrez, Marcela Pichipil, Horacio De Rosa, Ignacio Mundo e Christophe Delaere sistematizam as tarefas realizadas ao longo de 2022 pela missão internacional composta por membros do Conselho Consultivo Científico-Técnico da Convenção da UNESCO e por instituições especializadas. A metodologia articula, por um lado, a avaliação técnica do estado de conservação dos vestígios arqueológicos e, por outro, o trabalho de envolvimento comunitário e divulgação do patrimônio. Em última instância, a pesquisa destaca o notável potencial do Paraguai para o desenvolvimento da arqueologia e a gestão do patrimônio subaquático e dos ambientes aquáticos em geral.
Por sua vez, o artigo de Damián Bozzuto, Mariana Sacchi, María José Saletta e Nicolas Maveroff apresenta um estudo sobre a tecnologia lítica dos sítios Bajo de la Laguna 2 e Cerro Bayo 2, na Patagônia centro-sul da Argentina, com o objetivo de compreender as estratégias tecnológicas desenvolvidas por grupos de caçadores-coletores nos últimos 400 anos e avaliar os processos de continuidade e mudança associados ao contato com populações europeias e crioulas. A partir da integração de evidências arqueológicas e etnohistóricas, os autores analisam o uso de matérias-primas, a funcionalidade dos sítios e as decisões tecnológicas das sociedades indígenas. Os resultados evidenciam uma marcante continuidade no emprego de matérias-primas líticas locais de alta qualidade e mostram que a ausência de instrumentos fabricados com vidro industrial se deve a escolhas tecnológicas e às condições de disponibilidade de recursos, mais do que a um abandono do território. O artigo oferece uma valiosa contribuição para a compreensão da capacidade das sociedades indígenas de selecionar e adaptar tecnologias durante o processo de contato, enriquecendo o debate sobre continuidade, mudança e mobilidade na arqueologia da Patagônia.
O artigo de Miguel Guevara Chumacero e Xitlali Utrilla Narcia aborda a construção da igreja dominicana de Acala, em Chiapas, a partir de uma perspectiva que articula a arqueologia da arquitetura, a análise estratigráfica e a documentação histórica colonial. O trabalho propõe compreender a construção do edifício como uma sequência de atividades construtivas, na qual as unidades estratigráficas permitem reconstruir decisões, conhecimentos técnicos, soluções estruturais e até mesmo erros de projeto. A partir do estudo da fachada preservada, os autores refletem sobre o papel ativo dos frades dominicanos no planejamento, supervisão e execução de obras religiosas durante o século XVI, bem como sobre os processos de aprendizagem, improvisação e transferência de conhecimentos técnicos no contexto da evangelização e da organização territorial eclesiástica em Chiapas.
Para encerrar, gostaríamos também de compartilhar uma renovação na organização do Comitê Editorial. Após uma etapa de trabalho contínuo e valioso, expressamos nossa profunda gratidão a María Laura Iamarino e a Elisa Neira Cordero pela responsabilidade, pelo compromisso e pela dedicação com que acompanharam o desenvolvimento editorial da RDAHAYL. Seu trabalho foi fundamental para fortalecer a qualidade acadêmica da revista e consolidar os processos editoriais que hoje nos permitem encarar novos desafios. A partir desta nova etapa, Pamela Jiménez Vargas assumirá a direção da revista e Sofía Valentina Ferreyra atuará como editora responsável. Além disso, damos as boas-vindas a Samira e Carolina, que passam a integrar o Comitê Editorial e acompanharão o trabalho coletivo da revista. Com essas mudanças, buscamos dar continuidade ao caminho percorrido e continuar impulsionando o crescimento da publicação.
Comité Editorial